sábado, 26 de maio de 2012

Homens Humanos e o Mimetismo




Queridos Alunos,

na quarta passada o Diogo passou, ao final da apresentação do seminário de seu grupo, um filminho sobre uma experiência científica. E me disse que o colocasse no blog. Estou obedecendo. Êi-lo, abaixo:




Trata-se de uma experiência bem conhecida. Eu já havia lido um relato sobre ela em algum livro de primatologia (provavelmente em algum dos livros do meu primatólogo favorito, o Frans De Waal). Esse é um ramo da ciência realmente fascinante (assim como a arqueologia e a paleontologia - quem aí nunca quis ser cientista que estuda dinossauros quando era criança? - hehehe). Mas o interessante mesmo,  para mim, foi o objetivo que a historinha pretendeu atingir: criticar os seguidores da ciência normal - kuhniana - sugerindo que estes fossem como "macaquinhos" (olha aí o preconceito contra os nossos primos na escala da evolução, gente!) que se comportavam acriticamente, arremedando o comportamento dos outros, sem se perguntar sobre sua origem e pertinência.

Como eu gosto de acreditar que toda história tem (pelo menos) dois lados, comecei a pensar no que não foi dito, no reverso da medalha, na face obscura da lua, essas viagens... Aí me lembrei de um outro filme, aliás um primor do gênero "ficção científica do passado" (gênero este que não sei se existe de fato, mas nesse caso acaba de ser criado). É quando a ciência ajuda a reconstruir o passado remoto - ficcionalmente, claro - à luz das melhores teorias que se tem no presente. O filme é já um clássico, apesar de nem ser tão velho assim (é de 1981). E conta uma história com boas chances de ter ocorrido, com maior ou menor grau de verossimilhança, como narrado: a guerra do fogo (ou pelo fogo, ou para ter o controle sobre o fogo, etc.).

Não vou estragar tudo contando o final do filme, podem ficar sossegados. Só vou contar algumas coisas importantes para esse negócio aqui fazer sentido, ok?

No passado (a história se passa há 80.000 anos), quando surgiram os primeiros homens humanos, havia várias tribos de hominídeos coexistindo no mesmo espaço, nosso planetinha Terra, em diferentes estágios de evolução (cultural, tecnológica, etc.). Algumas dessas tribos eram mais bobinhas, ao passo que outras eram mais sabidas. Mas todas já tinham tido algum tipo de contato com o fogo e sabiam da importância de sua posse para a manutenção da vida. Daí o título e o argumento principal do filme: as diversas tribos passavam o tempo inteirinho a digladiar, tentando roubar o fogo umas das outras.

Pois bem, mas o que eu quero dizer é que o quente da história começa quando um moço bobinho, que pertencia a um clã de bobinhos (e que casualmente também é o protagonista do filme), conhece uma moça sabida, oriunda naturalmente de uma tribo de sabidinhos. E esse encontro se deu numa situação bem inusitada: quando ela estava prestes a ser devorada por um terceiro grupo, de bobinhos canibais, que a haviam capturado para o jantar.

Mas a pergunta que não quer calar é a seguinte: o que fazia dos sabidos, sabidos e dos bobinhos, bobinhos? Ah... várias coisas. Mas a principal delas era: os sabidos já dominavam a técnica de fazer fogo! Então não precisavam mais gastar um tempo enorme pensando em como roubar o fogo dos outros quando o deles se extinguia. Sacaram? Aí sobrava muito mais tempo para eles pensarem em outras espertezas, como investigar quais plantas serviam para curar quais doenças, pintar o corpo, construir cabanas, fabricar adornos, instrumentos, desenvolver uma linguagem mais sofisticada, fazer pajelanças, enfim, essas coisinhas que todas as gentes seguem fazendo até hoje... Ou seja, sabidice gera mais sabidice, num círculo virtuoso que se auto-alimenta.

Quando assistirem ao filme, prestem atenção nessa sequência de momentos antológicos:

53:10 - um episódio engraçado faz com que a moça sabida solte uma gargalhada. Eles - os moços bobinhos - apenas observam, intrigados. Não entendem nada, pois não sabiam sorrir.

1:09 - o moço bobinho observa um moço sabido fazer fogo. E chora, de tão maravilhado que fica ao descobrir aquilo possível.

1:13 - o moço neste ponto bobinho-ma-non-troppo ri pela primeira vez, mimetizando o comportamento dos sabidos.

1:15 - o agora-já-sabidinho observa a sabida pintar o corpo. O dele já estava todo pintado - hehehe.

1:16 - em seguida todos os ex-bobinhos caem na gargalhada. Aprenderam...

1:28 - o novo-sabido ensina, com a ajuda da sabida-antiga, todo seu clã bobinho a fazer fogo.

O que quero com isso dizer é que o mimetismo não precisa ser encarado como algo ruim, apenas. Ele é uma característica que nós compartilhamos com os outros primatas e que provavelmente foi responsável pela disseminação, por toda a nossa espécie, de algumas mudanças qualitativas importantes, verdadeiros saltos do ponto de vista evolucionário.




Divirtam-se muito, que esse filme é D+!
Hasta luego,
Brena.

P. S. E o que o David tem a ver com essa conversa toda? Pois é, né? É que mesmo passados todos esses milhares de anos, ainda não consigo acreditar direito no que aconteceu. Começamos pintando parede porque sobrou um tempinho, e no fim deu nisso...

sábado, 19 de maio de 2012

Ciência e Arte: noite estrelada


Queridos Alunos,

não sei se já cheguei a comentar isso com vocês, mas essa fase dos seminários é uma das que eu mais gosto, porque surgem umas discussões de assuntos absolutamente inesperados. Vocês realmente não cansam de me surpreender (e o que acaba acontecendo nos seminários, para mim, é um excelente exemplo das consequências não intencionais das ações humanas intencionais. Assim: eu quero que vocês façam uma coisa e vocês acabam fazendo [também] outra - hehehe)...

Esta semana, por exemplo, no final de uma das apresentações (sobre a retórica?) pintou essa história das semelhanças e dessemelhanças entre ciência e arte. Juntando isso com uma conversa muito inspiradora sobre o papel da arte na universidade, que tive na noite passada, fiquei pensando o seguinte sobre a pergunta que pairou no ar:

Das semelhanças:
  • ambas, ciência e arte, boa parte das vezes miram nos mesmos alvos, como no exemplo dessa postagem. Temos aqui um tema comum, a noite estrelada, e três formas de abordagem, sendo duas delas expressões artísticas - a pintura (o quadro de van Gogh, que ilustra o post) e a música (que vem no finzinho, pra fechar com fecho de ouro...) - e  uma terceira que é o nosso exemplo de abordagem científica, representada pela foto abaixo.


        

Quero com isso dizer que, seja classificando o Sol como uma estrela de quinta grandeza, ou tentando prever dentro de quantos bilhões de anos ele morrerá, seja representando a noite estrelada com geniais borrões de tinta, o objeto é o mesmo: são as estrelas. E a segunda semelhança que consigo pensar agora, assim de sopetão, é que:
  • ambas, ciência e arte, são levadas a cabo pelas mesmas criaturas, nosotros, macaquinhos cujos cérebros cresceram deveras, e que por isso começaram a se comportar estranhamente para os padrões do reino animal.


Das dessemelhanças:
  • ciência: está tentando responder a pergunta: "Como entendo (devo entender) o mundo?"
  • arte: em suas mais diversas manifestações, tenta responder a pergunta: "Como sinto o mundo?"

Das semelhanças e dessemelhanças:

Tentando agora fazer sentido de tudo:

Se eu fosse uma cientista e me perguntassem: "Brena, por que investigas?", eu responderia: "Investigo porque existo, e a busca pelo conhecimento de aspectos do mundo foi a melhor maneira que encontrei para expressar minha existência no mundo."

Se eu fosse uma artista e me perguntassem: "Brena, por que pintas (e bordas), cantas, esculpes, etc.?", eu responderia: "Pinto (e bordo), canto, esculpo, etc. porque existo. E a pintura, o bordado, o canto, a escultura, etc. foram as melhores maneiras que encontrei para exprimir minha existência no mundo."

Já se eu fosse eu mesma e me perguntassem: "Brena, por que pensas?". Aí então eu responderia: "Penso porque existo. E o pensamento foi a melhor maneira que consegui encontrar para realizar a minha existência no mundo."

Tenho para mim que, no final das contas, cada qual a seu modo, são todas tentativas de expressar/justificar/entender nossas existências (lamentavelmente finitas) no terceiro planetinha que orbita o Sol.


Abs e bom findi pra vocês,
Brena.

P. S. A imagem do quadro "The Starry Night", do van Gogh, veio de um site de história da arte.

A foto da "Starry Night" (brasileira!), veio do site da NASA.

E finalmente a música do Don McLean chamada "Vincent", cognominada "Starry Starry Night", veio do nosso companheiro inseparável youtube.

P. S. 2. E quando já havia achado que tinha terminado, ainda encontrei esse artigo (com um video) muito legal da Ciência Hoje: Dá (quase) na mesma.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Candeeiro (ou a Hermenêutica e as Relações Amorosas)


Queridos Alunos,

dando prosseguimento aos nossos assuntos epistemológicos, metodológicos, filosóficos e afins, o que temos no cardápio pra hoje é o seguinte. Recapitulando alguns dos últimos acontecimentos:

1. todos sabem que semana passada terminei minha gloriosa participação no curso de Mestrado de RI (gloriosa por conta da interação que houve com eles, meus aluninhos, bem entendido - hehehe),
2. todos sabem que a última aula foi sobre a Verstehen, ou o método hermenêutico,
3. todos sabem qual é a minha posição particular em relação a ele (não acredito que este possa ser o método para se chegar ao conhecimento científico no âmbito dos fenômenos sociais, como reivindicavam originalmente seus proponentes),
4. a despeito disso, todos sabem também do meu desejo - genuíno - de me tornar um ser humano melhor (que me fez incluir essa proposta metodológica no programa das aulas do RI, mesmo não acreditando nela).

Muito bem, mas o que nem todo mundo sabe foi o que eu ouvi na última quinta. Pouco antes (ou teria sido pouco depois?) da prova, a Elisa me disse: "Professora, o Kuhn me ajudou muito a entender a minha vida amorosa!". Elisa, por favor, me desminta se eu estiver mentindo...

E eu pensei, como sói acontecer nestes casos tão inusitados: "Ô louco!!!". Não que eu nunca tivesse pensado nesses termos, tentando entender a vida particular com a filosofia. Pelo contrário... Aliás, uma das coisas que mais gostei de ouvir nos últimos anos foi que, segundo um autor cujo nome já não me recordo, os intelectuais misturam o trabalho com a vida privada. Naturalmente isso me deu uma brecha para achar que eu própria seria uma intelectual (hehehe, again). O inusitado, para mim, foi ela ter usado o Kuhn para entender a vida amorosa. Eu sempre usava a Verstehen. Ou melhor, eu usava o inverso do argumento da Verstehen, já que não acredito nela. Certo?

Por exemplo: quando o carinha que você está a fim faz uma coisa muuuuuuito estranha, que te deixa de cara, o que você faz? Fica estática, estatelada, petrificada, sem ação, não é bem assim? E por quê? Simplíssimo: porque você não consegue compreender (Verstehen) o porquê da ação daquele sujeito. "Por que será que ele fez isso???". "Por que será?", "Por que será?", "Por que será?". E nada de uma resposta iluminadora... Sabem por que ele fez o que fez do jeito que fez? Porque ele é ele. Se fosse você a fazer, certamente teria feito tudo bem diferente. E por que a Verstehen não funciona? Porque nem sempre é tão simples fazer o exercício de "se colocar no lugar do outro", por meio da operação mental que daria acesso à reconstrução das crenças, desejos, etc. do sujeito em questão. Esse negócio de tentar se colocar no lugar do outro para entender suas ações é casca grossíssima.

Mais simples mesmo (e simples is beautiful, já sabemos disso...) é tomar as crenças e os desejos como dados. Para quem quiser ler um pouco mais sobre esses assuntos tão cheios de imponderáveis, como é o caso das ações humanas, vejam Sobre crenças, desejos e ações e também Ainda sobre Crenças e Ações: o Caso Capitu.

Poisentão. Só sei é que essa vida é mesmo muito louca e a gente morre e não vê tudo, como também não canso de dizer... E agora concluo: dado tudo isso, nesses últimos dias dei de pensar com os meus batons: "Candeeiro, eu também careço de luz o ano inteiro. Me ajuda a alumiar esses negócios aí, meu!". E foi desse jeito:



Entenderam tudo bem direitinho?
Então tá.

Até mais,
Brena.

P. S. E para provar que o meu projeto de autoaprimoramento como ser humano é coisa séria e não uma brincadeira, como muitos pensam, resolvi incluir uma aulinha sobre a Verstehen também para a graduação, no nosso Bloco III. Acho que o último passo, no caminho para a iluminação, será conseguir dar uma aula inteirinha sobre o Feyerabend. Mas nesse ponto já serei quase uma santa...

sábado, 5 de maio de 2012

A Epistemologia das Relações Internacionais


Amados Alunos,

esta postagem de hoje é dedicada aos meus aluninhos de mestrado de Relações Internacionais, que na quinta passada se mostraram deveras enciumados pelo fato de eu nunca ter escrito especificamente para eles. Então agora emendo o mal feito.

Pra começo de conversa, achei um texto bárbaro para vocês: tudo a ver com aquela nossa discussão da aula passada sobre o método hermenêutico, a Verstehen, etc. É "O Construtivismo no Estudo das Relações Internacionais". Acho que agora vocês já têm condições de ler - e de entender (hehehe) - o que está escrito aí. Então agora estudem essa rapaziada toda.

Confesso que eu tenho problemas com esse tipo de abordagem, como já comentei com vocês. Mas ainda preciso estudar bem mais para entender as nuances ou os diversos matizes de relativismos e construtivismos que eles (os participantes dessas escolas) alegam existir.

Um dos pontos mais complicados desse embróglio todo, tal como entendo, tem a ver com a questão da verdade, da busca pela verdade (em que pesem todas as dificuldades envolvidas nisso), e das implicações não só filosóficas mas também políticas de se abrir mão dessa busca. Entendi que aqui também é necessário que façamos escolhas. Eu escolhi acreditar que o mundo existe, que existem fatos reais (começando pela minha própria existência), e que é sim tarefa da ciência tentar elabarar teorias que abarquem explicações cada vez mais fidedignas de segmentos desse mundo real. É claro que também é possível brincar que nada disso é assim. Para que quiser tentar esse tipo de brincadeira, pode começar por aqui: Experiência Solipsista (ou cérebros num tanque). Divirtam-se, que a vida não é so estudo: é também diversão e arte, né não?

Hasta luego e bom findi pra vocês.
Brena.

P.S. A foto que ilustra a postagem de hoje é de Boa Vista - Roraima, onde me encontro neste preciso momento. Essa cidade também me fez lembrar de vocês. Logo que cheguei, quando estava vindo do aeroporto para o hotel, tomei um susto ao passar por uma plaquinha de trânsito indicando a estrada para a Venezuela (!). Certo, certo: já estamos, acá em Boa Vista, acima da linha do Equador. Hemisfério norte: a Venezuela fica bem ali pertinho. Êta Brasilzão, sô. A gente precisa ainda formar muita gente boa que saiba tudo sobre as teorias das Relações Internacionais. Vocês já conseguiram!

domingo, 29 de abril de 2012

Yes, we can! Ou uma palavra sobre o pluralismo




Queridos Alunos,

neste glorioso domingo de feriadão, dedico-me, entre outras coisas, a fazer a enésima-primeira revisão daquele que será, um dia, o melhor livro de metodologia da economia do Brasil, quiçá do mundo: aquele que ajudei a escrever/organizar, a convite do Professor Duilio. (Se nós não fizermos propaganda de nós mesmos, quem mais o fará???).

É ocioso recordar, mas ainda não posso disponibilizar aqui longos trechos desse precioso material (senão o pessoal da Saraiva mata nóis, né? Hehehe), mas posso disponibilizar um pedacinho.

De toda essa discussão [que fizemos nos 3 primeiros capítulos do livro - dedicados à epistemologia e à metodologia], um dos aspectos que mais salta aos olhos e que diz respeito ao desânimo e ao desencanto que, vez por outra e por motivos diversos, costumam se abater sobre os economistas, é a falta de consenso. Não existe consenso em relação a qual seria o método mais adequado para a ciência econômica. Não existe consenso sobre qual dentre as diferentes propostas epistemológicas poderia nortear melhor seu desenvolvimento. Não existe consenso em relação ao confronto entre as proposições positivas versus as normativas. Não existe consenso em relação aos resultados das teorias. Não existe consenso sobre o carater do cerne da explicação econômica voltar-se à alocação de recursos ou aos conflitos de poder. Consequentemente, não existe consenso sobre quais seriam as recomendações de política econômica que mais poderiam atender à expectativa iluminista de, por meio da ciência, alcançar-se uma sociedade transformada para melhor. Ao longo desses três primeiros capitulos, várias vezes foi enfatizada uma das caracteristicas mais fundamentais da ciência: seus produtos — as teorias — consistem em simplificações da realidade. E não poderia ser diferente. Não haveria ciência caso não existisse possibilidade de se proceder à abstração, i. e., de se simplificar a realidade. Note-se, entretanto, que uma visão simplificada não é, por si só, uma visão falsa, ainda que seja — evidentemente — uma visão parcial. Alguns dos resultados da ciência podem estar bem próximos da “verdade”, se entendidos os limites de sua necessária e inescapável parcialidade. São falsos, porém, quando se colocam como o espelho da verdade absoluta.  Uma vez que todos os modelos teóricos são simplificações da realidade, e sendo a parcialidade uma característica comum a todas as abordagens, ortodoxas ou heterodoxas, então a falta de consenso parece evidenciar um argumento em favor do pluralismo. John Hicks (1904-1989), escrevendo em 1980 (p. 101) e num momento de grande inspiração poética, sustentou que “teorias são como fachos de luz, que iluminam parte do alvo, deixando o restante na escuridão”. Se for assim, então quanto maior for a quantidade de teorias e de abordagens metodológicas e epistemológicas alternativas coexistindo, maiores serão as possibilidades de que o alvo torne-se cada vez mais bem iluminado.

E assim, de forma poética, termina o capítulo 3 deste poético livro de metodologia e técnicas de pesquisa em economia.

Era essa a cereja do bolo da qual eu falara na última aula, a salvação da lavoura, ou a luz no fim do túnel, se quiserem ficar nas metáforas luminosas e iluminadas. Tenho para mim que o pluralismo metodológico é a resposta para aquela situação da figura gracinha (perdi a fonte, sorry!) que ilustra a postagem de hoje: sempre que alguém disser "you can't (Kant?)", poderíamos retrucar, ao lembrar dele (do pluralismo, e também do Kant - por que não?): "Yes, we can!".

Bye,
Brena.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Tutorial de Lógica



Pessoal,

achei esse tutorial no youtube, bem explicadinho. Tem mais coisas do que aquilo que vocês vão precisar, mas não tem importância. Conhecimento não ocupa espaço. Certo?



Até mais,
Brena.

P. S. E o esqueminha da lógica feminina que ilustra essa postagem está impagável: é isso mesmo... O único porém é que veio de um blog nada politicamente correto: testosterona. Mas é engraçado mesmo assim...

sábado, 21 de abril de 2012

Sobre a nossa Prova


Pessoal,

neste - já decantado - momento em que me sinto particularmente dadivosa, meu anseio por tornar-me um ser humano melhor fez com que eu fizesse para vocês uma coisa que jamais nenhum professor fez para mim: esta postagem aqui. Um negócio mesmo de "pai para filho" ou, no nosso caso, de mãe para filhos. Coisa de louco, hein...

Arrumei tudinho para que vocês não se perdessem na matéria e conseguissem estudar todos os temas na ordem certa. Lembrem-se: a maneira como os tópicos foram organizados no curso não é aleatória, ela tem uma razão de ser. Dificilmente vocês conseguirão entender o que Popper estava falando se não souberem qual era a proposta anterior (dos positivistas e empiristas lógicos). E dificilmente vocês entenderão qual eram os principais argumentos do pessoal do Círculo de Viena, se não conhecerem quais eram as propostas dos indutivistas. E dificilmente vocês entenderão de verdade quais são os problemas que perpassam todas as abordagens tratadas, se vocês não tiverem a menor ideia sobre lógica, etc., etc., etc.

Pela ordem, temos então:

1. Sobre lógica:

Aula 2: CPC, estruturas lógicas válidas, inválidas e Machado de Assis

Aula 3 - λογική - exercícios

Lógica: formas de inferências válidas

Lógica: formas de inferências inválidas

E aquelas folhinhas com os resumos que eu tão carinhosamente fiz e entreguei para vocês na primeira semana de aula.


2. Sobre a indução, o método indutivo e seus problemas:

A Indução e o Gato de Alice

Indução e o Paradoxo de Monte Carlo

Gato Preto no Quarto Escuro

Sobre o Papel da Indução no Raciocínio Científico

E mais o capítulo 1 do livro do Chalmers (texto 1 da pasta).


3. Sobre o Método Hipotético Dedutivo:

Método Dialético versus Método Hipotético-Dedutivo

E mais o caítulo 2 do livro do Hempel (texto 2 da pasta).


4. Sobre Popper:

Aula 4: Popper e a tese de Duhem-Quine

Karl Popper: a ciência e a busca de um mundo melhor

E mais os capítulos 1 e 3 de Ciência: Conjecturas e Refutações (textos 3 e 4 da pasta)

5. Sobre Kuhn:

Thomas Kuhn e a Estrutura das Revoluções Científicas

E mais o capítulo 1 e o posfácio à segunda edição de 1970 de A Estrutura (texto 5 da pasta).


6. Sobre Lakatos:

Aula 5: Os Progamas de Pesquisa Lakatosianos

E mais o capítulo 1 de Metodologia e Programas de Investigação Científica (Texto 6 da pasta).


7. Sobre todos eles (Popper, Kuhn e Lakatos):

Método científico fácil de entender: será?


8. Sobre a Retórica:

Aula 6: A Retórica (ou a Verdade e a verdade)

E mais o texto 7 da pasta, cujo título exato agora me foge por completo...


E tem naturalmente as explicações que eu dei para vocês, nas aulas: todos aqueles milhares de quadros repletos de esquemas e rabiscos.

Então, respondendo a pergunta que mais tenho ouvido nos últimos dias: o que vai cair na prova? Isso aí que acabo de listar acima. Só isso e nada mais do que isso. E nem poderia, né? Foi apenas isso que a gente viu...

Bons estudos e boa sorte na prova (se bem que quem estuda nem precisa dela, né não?).

Abs,
Brena.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Karl Popper: a ciência e a busca de um mundo melhor




Queridos Alunos,

querem umas drágeas de romantismo para contrabalançar a aridez (eu disse isso?) epistemológica?

Então lá vai:

"penso que só há um caminho para a ciência ou para a filosofia: encontrar um problema, ver a sua beleza e apaixonar-se por ele; casar e viver feliz com ele até que a morte vos separe - a não ser que encontrem um outro problema ainda mais fascinante, ou, evidentemente, a não ser que obtenham uma solução. mas, mesmo que obtenham uma solução, poderão então descobrir, para vosso deleite, a existência de toda uma família de problemas - filhos, encantadores ainda que talvez difíceis,  para cujo bem-estar poderão trabalhar, com um sentido, até ao fim dos vossos dias."

Foi o Popper quem escreveu.

Encontrei uma raridade para vocês: Em busca de um mundo melhor , que é a tradução portuguesa de uma coletânia de ensaios, resultados de uma série conferências proferidas todas elas em alemão (do original: Auf der Suche nach einer besseren Welt).

E para completar o serviço tem ainda isso aqui, tudo a ver com tudo mais:


Não falei que andava magnânima?

Podem me agradecer pessoalmente.

Abs,
Brena.

domingo, 15 de abril de 2012

Thomas Kuhn e a Estrutura das Revoluções Científicas



Estimados Alunos,

tenho várias notícias para vocês: algumas delas excelentes, outras nem tanto e finalmente uma última, completamente neutra.

Comecemos com as muito boas:

1. estou atravessando uma fase magnânima,
2. por conta dela, tenho passado algumas horas por dia tentando encontrar coisa bacanas para vocês,
3. e mais: também tenho tido sorte e descoberto coisas realmente de primeiríssima qualidade, como o filminho sobre as principais propostas de Kuhn, que linkei para vocês nessa postagem. Crème de la crème: podem acreditar...

E agora as não tão boas:

1. o filminho é em inglês,
2. e não tem legenda,
3. e eu não sei como colocar legendas nos filmes do youtube, o que nos leva a
4. vocês terão que assisti-lo sem legenda mesmo.










E finalmente a última notícia (neutra), que é a seguinte: se você chegou até aqui e não assistiu o filme porque não entende inglês, comece a se preocupar com isso hoje mesmo.

Tenham todos um ótimo final de domingo,
Brena.


P. S. Prestem atenção, na parte I, nos casos em que o tiro parece ter saído pela culatra. A famosa "Tese da Incomensurabilidade", por exemplo, é um deles. Se aceitarmos que dois paradigmas que se sucedem no tempo são de fato incomensuráveis, então não haveria como compará-los racionalmente. Ocorre que não é isso que se observa na prática científica. Pelo contrário: tomando o exemplo dos paradigmas newtoniano e einsteiniano, há um bom grau de consenso entre os físicos de que o paradigma einsteiniano superou os problemas deixados em aberto pelo seu antecessor. Ora, se ambos eram incomensuráveis, então não haveria comparação possível e nem como se chegar a essa conclusão. Mas não estava Kuhn pretendendo fazer metateoria descritiva ao invés de normativa???

P. S. 2. E o livro inteiro, para quem está atrasadíssimo e ainda não leu, está aqui: A Estrutura das Revoluções Científicas.

sábado, 14 de abril de 2012

A Sexta-Feira 13 e o Erro Tipo II



Queridos Alunos,

ontem aconteceu uma coisa estranhíssima, que me deixou encafifada durante todo o dia, a saber: tivemos uma quantidade de acessos absurda para os nossos padrões: 1.587 visualizações de página num único dia. Se não acreditam podem dar uma olhada no salto gigantesco que o marcadorzinho de acessos que coloquei bem ali ao lado deu. Digo que foi uma quantidade absurda porque este não é um blog que trate de temas que costumam agradar multidões, como futebol e mulher pelada, por exemplo. Pelo contrário, normalmente falamos sobre Epistemologia e Epistemologia das Ciências Sociais (e vez por outra sobre algum outro tema filosófico/exotérico que nos agrade/preocupe). E eu sempre soube que estas eram questões que atrairiam um pequeno e seleto público, e não mais do que isso. "Qualidade e não quantidade": uma das minhas máximas favoritas - hehehe. Foi por isso que a quantidade me surpreendeu e só vim a entender o que estava acontecendo perto da meia noite, mas isso eu já explico.

Vocês notaram que eu coloquei, além do marcador de acessos de páginas, também um mapinha e um outro dispositivo para identificar quantas são e de onde vêm as visitas, lá no rodapé da página? É que eu estou gostando de brincar de fazer testes empíricos com vocês. Também estou começando a entender o fascínio que aqueles que gostam de medir têm pelos números. É que os números nos dizem coisas sobre a realidade! Incrível, hein? Nunca pensei que viveria tempo suficiente para me surpreender escrevendo coisas como essa. É que eu já fui da turma que acha que a matematização do mundo social confunde muito mais do que explica (mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa!). A brincadeira dos testes empíricos e portanto da medição (tudo muito light, bem entendido) começou aqui, na postagem Método Científico fácil de entender, será? Parte II: o Experimento. 

Bem antes disso, eu já havia feito a postagem Gato Preto no Quarto Escuro, onde tentei explicar o que se entende por "risco indutivo" na Epistemologia. Este post até ontem aparecia como o segundo lugar na lista de acessos dos top-mais-mais de todos os tempos (com uma diferença enorme - de mais de 1.000 acessos - para o primeiro lugar Método Científico fácil de entender: será?, que reinava absoluto).

Pois muito bem, agora colocando o Tico e o Teco para trabalharem juntos, temos os seguinte:

Dos fatos: como me propus a brincar de fazer testes empíricos com vocês (i.e. utilizar os dados estatísticos do blog como os meus dados empíricos), preciso ficar de olho na maneira como vocês se comportam. Certo? Então me acostumei a entrar mais ou menos umas três vezes por dia nas estatísticas do blog para ver o que está acontecendo. E ontem, pela primeira vez, os dados empíricos se comportaram daquela forma  desgovernada: acessos numa velocidade estonteante a uma página que não costumava ser a mais acessada, e eu não entendendo nada. Acessos aumentando astrofisicamente, e eu não entendendo nada, etc... Problema científico a ser resolvido: por que será que o povo do Brasil e do mundo resolveu, de uma hora para a outra, se interessar pelos erros tipo I e tipo II?

Da interpretação afobadinha: Minha primeira hipótese foi a seguinte: vai ver que o link do blog foi parar na lista de um outro blog super-ultra-mega popular. Isso explicaria os acessos pipocando de todos os lados, mas não explicaria o porquê de a maioria absoluta dos acessos ter ocorrido em uma única postagem. Era preciso investigar mais, porém eu também precisava dar aula (essa vida de cientista misturada com a vida de professora é dureza!).

Da interpretação mais tranquilinha: Chegando em casa já tarde da noite, mas ainda intrigada, passei casualmente por um calendário e a luz se fez: ontem foi uma sexta feira 13!!! Hahaha - então tá: foi tudo culpa do gatinho preto! Ou seja, de vez em quando uma variável anômala surge do nada, faz a maior bagunça nos dados empíricos e você corre um risco danado de tomar uma falsidade por uma verdade. Erro tipo II.

Moral da História: "Cientistas de todo o mundo: muito cuidado com a sexta-feira 13!"

Até mais,
Brena.

P. S. de 10/05/2012: como o marcadorzinho de acessos caminha da direita para a esquerda, mudando um pouco por dia, resolvi colocar uma imagem dele aqui, antes que o salto gigantesco desapareça para todo o sempre. Ei-lo:Não quero passar por mentirosa...